Os Serviços Municipalizados de Água e Eletricidade de Mafra (SMAE) foram criados em 28 de novembro de 1940 para a gestão conjunta da água e da eletricidade no Concelho de Mafra, de acordo com o projeto de Municipalização dos Serviços de Água e Eletricidade, apresentado, em outubro de 1940, à comissão administrativa da Câmara Municipal de Mafra, por deliberação camarária de 15 desse mês e ano, com publicação em Diário do Governo n.º 269, de 19 de novembro de 1940, Série II.
Até então, cabia à autarquia a gestão e exploração direta desses serviços, entregues pela Câmara Municipal de Mafra aos SMAE de Mafra em janeiro de 1941, menos de dois meses após a sua criação – a primeira sede viria a localizar-se na Praça da República em Mafra.
A história do abastecimento de água ao concelho de Mafra remonta a 1934 quando começaram a ser realizados alguns estudos hidrogeológicos, topográficos e urbanos, tendo sido em 1939 que a edilidade mafrense solicitou a realização de um projeto para a captação e abastecimento de água à vila de Mafra ao Eng.º Raul Cardoso Ressano Garcia. O projeto previa duas captações, uma no Sonível e outra na Carapinheira, tendo sido apenas aprovada a captação da Carapinheira.
Em abril de 1940, sob a presidência do Capitão João Lopes, iniciaram-se na Carapinheira os trabalhos destinados à construção de um poço com 22 metros de profundidade e com mais 8 metros por meio de um furo de sonda para atingir uma profundidade de 30m. Não foi, no entanto, alcançado o caudal previsto (300m3/dia), tendo os estudos sido redirecionados para outras áreas. Surgiu a proposta para uma pesquisa mais elaborada no local da Fonte Santa (Brejo), tendo o respetivo projeto sido concluído em dezembro de 1940 e aprovado por despacho ministerial em 25 de março de 1941.
Os trabalhos foram iniciados em 12 de abril de 1941 e terminaram em outubro de 1942, com a abertura de dois poços de sondagem, que passaram a solução definitiva, unidos por uma galeria de mina no fundo dos poços, com uma extensão de 20m a montante.
Paralelamente ao projeto de captação do Brejo, deu-se início ao projeto da rede de distribuição da vila de Mafra, aprovado por despacho ministerial de 19 de janeiro de 1942, cujas obras iniciaram em setembro do mesmo ano. A conduta adutora tinha cerca de 4 km de extensão, 6 ventosas e 5 descargas. A rede de distribuição da vila de Mafra tinha cerca de 6,3 km.
As obras foram iniciadas em outubro de 1942 e terminaram em maio de 1943, não tendo sido possível cumprir o projeto inicial centrado na captação da Carapinheira, que viria a ser desativada. A rede da Ericeira, com, aproximadamente, 7km de comprimento, foi executada na mesma altura.
Assim, entre 1939 e 1943 decorreram os trabalhos para implementação da rede de distribuição e abastecimento de água às vilas de Mafra e Ericeira, com origens no Brejo e Fonte Boa dos Nabos, respetivamente.
A inauguração oficial da rede de distribuição de água às vilas de Mafra e Ericeira ocorreria a 22 de outubro de 1943, feriado municipal, por ocasião do 213º aniversário da sagração da Basílica de Mafra, fazendo parte do programa de comemorações da edilidade.
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As primeiras referências a insuficiência de caudal para garantir o abastecimento de água surgiram em 1945, levando à execução da captação da Fonte da Telha no final da década, para compensar os caudais insuficientes das captações do Brejo e Fonte Boa dos Nabos.
Entre 1943 e 1970 os SMAE realizaram obras de captação, construção e ampliação das centrais elevatórias, reservatórios, condutas adutoras e elevatórias, bem como a montagem e alargamento da rede de abastecimento concelhia para responder à necessidade de assegurar um maior volume de água sem quebras no fornecimento, face ao progressivo aumento do número de consumidores. O fornecimento de água à Vila da Malveira viria a acontecer no ano de 1959, contando-se em 1970 cerca de 150 km de rede no concelho.
Foi nesse ano de 1970 (julho) que a exploração elétrica deixou de ser efetuada pelos SMAE, tendo sido entregue a concessão às CRGE (Sociedade Companhias Reunidas Gás e Eletricidade), ficando os serviços municipalizados inteiramente dedicados à exploração e gestão da água, passando a ser designados de SM de Mafra – Serviços Municipalizados de Mafra – a partir de 1971. Seria também neste ano que era dado início ao processo de implementação de um sistema para controlo da qualidade da água.
Durante a década de setenta e oitenta, as principais preocupações dos serviços eram a insuficiência dos caudais para distribuir, principalmente nos meses de verão, mas também o preço da água, inflacionado pelas obras necessárias devido à ruralidade e orografia do território, não sendo possível acompanhar os preços praticados em Lisboa e em concelhos de condições geográficas melhores e de caraterísticas não rurais.
No Relatório, Balanço e Contas de Gerência de 1971 apontava-se como possível solução a aquisição de água à Companhia de Águas de Lisboa (1868-1974) por forma a tornar os Serviços Municipalizados um organismo de distribuição de água.
Esta situação permaneceu nos anos seguintes devido à escassez de caudais das captações do Paúl (Freiria, Torres Vedras), das captações concelhias e do sistema Loures-Venda do Pinheiro, da responsabilidade da EPAL, fornecido através da rede de abastecimento do concelho de Loures.
Não obstante se tenha procedido à assinatura de vários acordos com os concelhos vizinhos e a EPAL, para colmatar a insuficiência de água, o objetivo dos serviços era o fornecimento de água diretamente pela EPAL aos SMM, por forma a resolver, com autonomia, a insuficiência de água que afetava o Concelho há vários anos.
A 17 de junho de 1985 foi assinado um acordo de Exploração pela EPAL do sistema intermunicipal de abastecimento de água ao Município de Mafra e parte do território do Município de Loures, tornando o sistema de abastecimento de água ao Concelho de Mafra totalmente independente de Loures.
A 31 de janeiro de 1989 seria celebrado um acordo entre os Municípios de Mafra, Torres Vedras e a EPAL para construção de um sistema adutor novo (Paredes-Serra da Vila) para o fornecimento de água a partir do Canal do Alviela (Alenquer), com o objetivo de efetuar a ligação do sistema geral da EPAL às redes de distribuição dos dois concelhos, ficando os mesmos independentes e responsáveis pelos investimentos respeitantes aos sistemas municipais de abastecimento de água.
As décadas seguintes foram marcadas pela construção das grandes adutoras que permitiram o transporte de água a partir dos sistemas da EPAL para o Concelho de Mafra, possibilitando assim o abastecimento de água à generalidade das localidades e o abandono das captações próprias.
Em 1993-1994, apenas constavam dos relatórios as captações de Fonte Boa dos Nabos, Ribeira d’Ilhas e Fonte da Telha, que seria a última a ser desativada a 31 de dezembro de 2008 com a criação de um novo ponto de entrega da EPAL concluído em outubro do mesmo ano nos Casais da Serra (concelho de Loures, fornecimento “em alta” da EPAL), mantendo-se até aos nossos dias como o reservatório com maior capacidade, representando 64% da água consumida no concelho de Mafra.
Após a alteração da Lei da Delimitação dos Sectores em 1993 e decorridos 54 anos de atividade dos SMM, em 1994 a rede de abastecimento já atingia uma cobertura de 95% e seria assinado pela Câmara Municipal a 15 de dezembro de 1994 o contrato de concessão do sistema de captação, tratamento e distribuição de água e do sistema de recolha, tratamento e rejeição de efluentes do Concelho de Mafra.
O Município seria o primeiro a concessionar o serviço de abastecimento de água em Portugal, iniciando-se o “período de transição” a 1 de janeiro de 1995 e a consequente extinção dos serviços a 31 de julho do mesmo ano.
Desde essa altura e até 31 de agosto de 2019 os serviços estiveram sob gestão privada, inicialmente de uma empresa com capitais franceses (Compagnie Générale des Eaux (Portugal), do Grupo Générale des Eaux, S.A. França, depois designado de Veolia Environnment, passando a ser Veólia Água – Águas de Mafra), posteriormente adquirida por uma empresa de capitais chineses (Beijing Enterprises Water Group, com a designação social Be Water, S.A., passando a designar-se Be Water - Águas de Mafra).
Nos primeiros anos, este modelo de gestão permitiu o desenvolvimento da rede do Município, a introdução de novas tecnologias como o SIG, a telegestão e o controlo ativo de perdas de água na rede.
No seguimento de um pedido de reequilíbrio económico-financeiro formulado pela concessionária, a 29 de novembro de 2018, foi deliberado por unanimidade na Assembleia Municipal, na defesa do superior interesse público e sob proposta da Câmara Municipal, o processo de resgate da concessão dos serviços de água e saneamento e a criação dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Município de Mafra (SMAS de Mafra).
A 1 de setembro de 2019, os SMAS de Mafra assumiram a exploração e gestão dos serviços municipais de abastecimento público de água e de saneamento de águas residuais urbanas no Concelho de Mafra. Mais uma vez, o Município de Mafra, foi pioneiro, agora na decisão de resgatar, sob o lema “100% Nossa”.

